O dólar comercial encerrou a sessão desta sexta-feira (8) em forte queda, fechando abaixo do patamar de R$ 4,90 pela primeira vez em 28 meses. O movimento reflete uma onda de otimismo nos mercados globais, impulsionada por dados econômicos sólidos vindos dos Estados Unidos e por um alívio momentâneo nas tensões geopolíticas no exterior.
A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 4,894, o que representa uma desvalorização de 0,60% no pregão. Com esse resultado, o dólar atinge seu menor valor de fechamento desde o dia 15 de janeiro de 2024. No acumulado do ano, a divisa já registra uma retração significativa de 10,84% em relação ao real.
O principal fator para esse recuo foi a divulgação do relatório de empregos dos Estados Unidos, o Payroll. Os números mostraram a criação de postos de trabalho acima do esperado, o que acalmou os temores dos investidores sobre uma possível desaceleração brusca da economia norte-americana ou uma inflação fora de controle.
Paralelamente, o mercado monitorou as sinalizações do cenário diplomático. Declarações do presidente Donald Trump indicando a continuidade do cessar-fogo no Oriente Médio ajudaram a reduzir a aversão ao risco, favorecendo moedas de países emergentes, como o Brasil.
No mercado acionário, o Ibovespa acompanhou o bom humor e registrou alta de 0,49%, alcançando os 184.108 pontos. O avanço foi sustentado principalmente por ações de peso, como as de grandes bancos e mineradoras, que se beneficiaram do fluxo de capital estrangeiro.
Cenário para o petróleo e riscos geopolíticos
Apesar do clima mais ameno, o preço do petróleo apresentou alta nesta sexta-feira. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 1,23% e fechou em US$ 101,29. Já o WTI avançou 0,64%, atingindo US$ 95,42. Mesmo com a subida diária, os contratos da commodity encerraram a semana com perdas acumuladas superiores a 6%.
Investidores continuam atentos à situação no Estreito de Ormuz, uma via vital para o comércio global de energia. O Comando Central dos Estados Unidos reportou que dezenas de navios-tanque permanecem impedidos de circular em portos iranianos, mantendo o alerta sobre a oferta de óleo no médio prazo.
No campo diplomático, o secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou que Washington aguarda uma resposta oficial do Irã sobre a proposta de encerramento definitivo do conflito. Contudo, a pressão continua, já que o governo norte-americano renovou o ultimato para que o país abandone seu programa nuclear, fator que deve seguir no radar dos analistas nos próximos dias.